Memórias dos dias


Ás vezes
Ás quatro e um quarto saio, vou buscar a mais pequena.
Ela vem com um sorriso em passo de corrida, assalta-me com um abraço e sorrio.
Porque será que esta alegria se repete todos os dias?
Saímos, ela nunca tem pressa. Sentamo-nos no banco ao lado da porta, depois descemos as escadas (a sua mão pendurada com o seu peso na minha mão) e paramos intermináveis vezes enquanto tenta apanhar todos os minusculos qualquercoisa que os seus olhos mais rasteiros detectam no chão.
Vamos buscar os manos?
Nãããããão
Não? E sabes dizer sim? Sim?
CHim. Pois, sim é mais difícil do que não.
Entramos no carro, cadeirinha, cinto. Abro janelas que está calor ainda.
No caminho a cabeça dispara em pensamentos, nem me lembro de a ouvir lá atrás. Jantar?, nem sempre relembro o que está decidido, alguma coisa para comprar obrigatória? Hoje não há actividades extra.
Na outra escola vou primeiro ao do meio, sai ás quatro e meia. Miúda pequena no carrinho que tiro da mala (ela assim não foge para todo o lado, nem tenho que a carregar ao colo).
Ele lá vem, feliz e brincalhão. Fala do carrinho que lá ficou, dos amigos que reencontrou, está orgulhoso de ter crescido. A mesma alegria contagia-me o sorriso
Vamos então ter com a mais velha, entrada de cima na mesma escola.
Espero que saia enquanto os mais novos se abraçam reencontrados.
Ela chega, alta, sorriso ternurento, e começa a falar.
Estamos todos, seguimos o nosso ritual de entrada no carro, acomodamo-nos e partimos.
Hoje não pararemos para comprar nada, vamos directos a casa.
A mais velha fala e fala, conta coisas e histórias e novidades e sensações, os outros também querem falar. Ela pára e ouvimos também o miúdo, o que fez, o que brincou, quem encontrou, a mais nova também tem coisas a dizer embora nem sempre a tradução seja muito fiável.
A cacofonia é inevitável e sorrio, apetece abraçar com o sorriso. Conduzo nas curvas da estrada sem pressa.
Chegamos, as portas abrem-se e todos saem (a mais pequena fica, quer ficar a conduzir)
Levo tralhas e volto, a buscá-la.
Depois, as mil e uma coisas do regresso a casa.
Ás vezes todos estes passos não correm leves,
talvez me irrite ou perca a paciência no limite do tempo e do cansaço,
ou porque há problemas a que não vejo o fim.
Ás vezes um deus estranho sorri e lembra-se de me trazer respostas
Coisas que parecem pequenas aos outros,
Mas que nos aliviam todos os sentidos.
Gracias á la vida, manita